2 de agosto de 2026 # Foto: Diário de Pernambuco

O adeus da Asa Branca
Era uma quarta-feira. O Brasil amanheceu mais cinza e silencioso naquele 2 de agosto de 1989. Às 5h20 da manhã, nas dependências do Hospital Santa Joana, no Recife, o relógio pareceu parar. Após 42 longos e dolorosos dias de internação — resistindo bravamente a anos de batalha contra um câncer de próstata implacável e um quadro severo de osteoporose —, o coração do nosso maior representante finalmente descansou, vencido por uma parada cardiorrespiratória.
Aos 76 anos, o homem que fez a sanfona chorar e o sertão ecoar por todo o país partia para a eternidade. Ele, que nos últimos tempos já enfrentava o corpo cansado e as dores intensas que o obrigavam a cantar sentado nos palcos, deixou vazia a terra que tanto amou, mas eternizou uma história de superação, suor e dignidade.
O sanfoneiro de Exu, que deu voz aos invisíveis, cantou as dores e as belezas do Nordeste e uniu gerações  como em seu último e emocionado encontro nos palcos ao lado do filho Gonzaguinha , virou rei, virou mito, virou lenda.
A dor daquela despedida tomou conta do país, levando multidões consternadas à Assembleia Legislativa de Pernambuco antes de sua volta definitiva ao chão sertanejo.
Hoje, relembramos com o peito apertado de saudade aquele amanhecer em que o fole da sanfona emudeceu. Mas o vento que sopra nas caatingas e o eco de “Asa Branca” não nos deixam esquecer: Luiz Gonzaga do Nascimento vive para sempre nos corações de todos nós.
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