domingo 15 de abril de 2018/ 11:26/- foto URL curta reprodução google

Tuas origens são quase mais antigas que a história da humanidade. Teus feitos, oh mãe Síria, se contam há mais de cinquenta séculos. Sempre fostes grande, forte e impoluta. Tua vocação, a de compor impérios os mais matizados. Pertencestes dos fenícios a Alexandre e mesmo na pós-modernidade da pseudo dignidade humana continuas cobiçada pelas culturas de todo o mundo. Pretendem te desposar ainda, mesmo pela violência, a impáfida Rússia, o fanático Isis, o arrogante franco e o inculto ianque.

O ouro pelo qual te cobiçam é tua cultura.

Tu és rica em valores, em história, mas sobretudo, tua maior riqueza é teu povo guerreiro e sábio. De teu solo (quando em ti habitava a Líbia), brotou Hiran Abiff, o arquiteto do grande templo de Salomão, o guardião da sagrada arca e o sítio onde ainda hoje lamentam os judeus sua triste sina. Hiran, o guardião dos maiores segredos da humanidade, que três vezes morreu para não revelar os enigmas do templo sagrado. Também és a gentil mãe de Gilbran, poeta sublime que em suas doces palavras cantou ao mundo tuas belezas e a infinita sabedoria que guardada em tua cultura. A sabedoria do profeta, a simplicidade da mestria, a divindade do Cristo. Tudo isso, foste tu, mãe Síria, quem ensinaste ao sutil poeta Gilbran. E o mundo seguirá te agradecendo não somente a poesia, mas também as próprias letras, matéria prima de qualquer poeta, pois também é de tua inesgotável cultura que surgiu o alfabeto.

Mas Damasco não está em paz, na opulenta e calma guarda de todos os mistérios da humanidade. Damasco está em guerra, bombardeada e vilipendiada em sua dignidade de mãe de riquezas insondáveis. A ganância dos homens põe em risco todos os seus infinitos tesouros, vilipendia toda a sua incontestável autoridade. Te golpeiam e te expõe as vísceras já tão cheias de cicatrizes pela necessidade do ego, pela desonestidade da ganância e pela imbecilidade da propaganda. Nenhum dos teus agressores de verdade quer libertar teu povo, mas submetê-lo a novas opressões. Qualquer deles honestamente não está interessado em estancar tuas dores, preocupado em poupar um filho teu que seja, oh mãe Síria.

Se não querem que tuas criancinhas morram de fome ou de balas, pois que parem todos de atirar nelas!

Teus filhos, tão dizimados que já foram, por tantas e imemoriáveis guerras, hoje habitam o mundo todo. Mas mesmo os exilados, até os que ganharam novas pátrias adotivas, todos ainda sentem teu quente sangue correr por suas veias e lá no fundo, mesmo

que não lembrem, ainda se revoltam contra as infames agressões que sofres. Ainda oram inconscientemente pela pacificação de tua pátria, pela renovação de tuas gerações e pela esperança de que as próximas gerações de teus filhos desconheçam os horrores da guerra e se esqueçam do ocre cheio de sangue queimado por balas e bombas.

Filhos da Síria, unamo-nos em oração em prol da nossa amada mártir!

Por Jorge Emicle