3 de março de 2026

O mês de março é marcado pela campanha Março Lilás, que chama a atenção para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer de colo do útero. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o período de 2026 a 2028, a doença permanece como o terceiro tumor mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma, com previsão de cerca de 19 mil novos casos por ano — um aumento aproximado de 13% em relação às estimativas anteriores.
O câncer de colo do útero é um tumor que se desenvolve na parte inferior do útero, chamada colo. A doença está diretamente relacionada à infecção persistente pelo HPV (Papilomavírus Humano), um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Embora seja comum que o organismo elimine o vírus naturalmente, quando a infecção permanece por muitos anos pode provocar alterações nas células do colo do útero.
Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento da doença, como início precoce da vida sexual, múltiplos parceiros, tabagismo e uso prolongado de contraceptivos hormonais. Além do câncer de colo do útero, o HPV também pode estar associado ao surgimento de lesões precursoras, verrugas genitais e tumores em outras regiões do corpo, como vagina, vulva e ânus.
Nos estágios iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Em fases mais avançadas, podem surgir sintomas como sangramento fora do período menstrual, corrimento anormal e dor pélvica. Por isso, a prevenção é fundamental. Conforme o Ministério da Saúde, a vacinação contra o HPV — indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos — e a realização do exame preventivo (Papanicolau) são as principais formas de proteção.
O exame é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram relação sexual. Inicialmente, deve ser realizado uma vez ao ano e, após dois resultados normais consecutivos, passa a ser feito a cada três anos. Tanto a vacina quanto o exame são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma história de fé e superação
Entre as mulheres que enfrentaram o diagnóstico está Janice Fernandes Martins, 62 anos, moradora de Pelotas. Antes da confirmação da doença, ela passou três anos buscando respostas para sintomas que não melhoravam.
“Eu já estava há três anos ruim, fazendo vários exames e indo ao médico, e ninguém descobria nada. Eu me sentia muito cansada, acordava sem disposição nenhuma, dormia muito mal. Diziam que era depressão, mas eu só piorava”, relembra.
A virada aconteceu quando decidiu procurar novamente atendimento médico. “Aquele dia eu dei um basta. Peguei todos os meus exames e fui ao ProntoCor. A médica olhou e disse ‘Eu descobri o que tu tens’. Ali começou tudo”, conta Janice.
O diagnóstico foi confirmado no final de novembro de 2024. Poucos dias depois, em 3 de dezembro, ela passou por cirurgia. Em 2025, iniciou a radioterapia. “Quando acordei da cirurgia, já fiquei sabendo que teria que fazer radioterapia. Comecei o tratamento em março e terminei em abril”, relata. O processo exigiu força física e emocional, especialmente diante dos efeitos colaterais e do desgaste do tratamento.
O acolhimento da Aapecan
A relação de Janice com a Aapecan começou antes mesmo de ela precisar de apoio. “Eu sempre contribuí com a Aapecan antes de precisar. Um cunhado meu foi atendido e falava muito bem da instituição”.
Durante o tratamento, foi a filha quem procurou a unidade de Pelotas. “A assistente social fez o acolhimento e eu já saí com o meu primeiro suplemento”, relata. Além do suporte social, Janice passou a participar das atividades oferecidas pela instituição.
Desde 2025, ela integra a oficina de artesanato da Aapecan Pelotas, realizada todas as terças-feiras. “Comecei a participar da oficina de crochê. Eu me sinto como se estivesse numa nova casa. Aqui eu me sinto bem, me distraio, passo o dia com elas. Isso ajuda muito”, afirma.
Atualmente, a Aapecan possui 180 usuárias com diagnóstico de câncer de colo do útero ativas nas 15 unidades no Rio Grande do Sul. Destas, 25 estão vinculadas à unidade de Pelotas.
Um alerta às mulheres
Ao falar sobre prevenção, Janice enfatiza a importância de buscar atendimento médico. “A pessoa não deve desistir. Se tu não tá bem, alguma coisa tu tem. É importante procurar ajuda até achar a solução”.
Ela também reforça a importância do exame preventivo. “É importante fazer o pré-câncer todo ano”, finaliza.
Fontes: Instituto Nacional do Câncer (INCA) e Ministério da Saúde.








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